terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Mario Prata


Como não poderia deixar de ser, além de sempre mudar o curso dos meus textos, acabei por mudar o curso do blog.

Então, para voltar ao foco (apenas um pouco), vou falar sobre um livro de crônicas que li e adorei. O nome do livro é : Cem Melhores Crônicas - que na verdade são 129 (pelo visto não sou a única a não conseguir se manter nas margens!) de Mário Prata.


O olhar que ele põe sobre o mundo é algo muito peculiar, e ver situações corriqueiras do cotidiano através das impressões de Mário Prata é algo que absorve a atenção de qualquer pessoa. Simples e inteligentes, as crônicas retratam observações da vida de uma forma que poucos conseguem fazer.

Amigo de Vinícios, Chico, Luis Fernando Veríssimo e diversos outros escritores/compositores incríveis, não é raro que os vemos citados em alguns dos textos, em situações se não altamente interessantes, extremamente hilárias.

E é ao escrever sobre Mário que me pego rindo sozinha, apenas por lembrar uma de suas crônicas. O nome é "Criança diz cada uma...", que conta pérolas ditas por crianças, como só elas sabem fazer. Segue um trecho:

" Aninha já estava com dois anos. Loira, linda. Nunca tinha cortado o cabelo. Eram amarelo-ouro e cacheados. "Parecia um anjinho barroco", diz a mãe coruja.

Lá um dia, a mãe pega uma enorme tesoura e resolve dar um trato na cabeça da criança, pois as melenas já estavam nos ombros. Chama a menina, que chega ressabiada, olhando a cintilante tesoura.

- Mamãe vai cortar a cabelinho da Aninha.

Aninha olha para a tesoura, se apavora.

- Não quero, não quero, não quero!!!

- Não dói nada...

- Não quero!, já disse.

E sai correndo. A mãe sai correndo atrás. Com a tesoura na mão. A muito custo, consegue tirar a filha que estava debaixo da cama, chorando, temendo o pior. Consola a filha. Sentam-se na cama. Dá um tempo. A menina pára de chorar. Mas não tira o olho da tesoura.

- Olha, meu amor, a mamãe promete cortar só dois dedinhos.

Aninha abre as duas mãos, já submissa, desata o choro, perguntando, olhando para a enorme tesoura e para a própria mãozinha:

- Quais deles, mãe?"

Auto ajuste



Amo escrever. Mas, como quase tudo em minha vida, me é quase impossível traçar um caminho pré definido. As palavras fluem aleatoriamente, só me restando a tentativa de organiza-las para, quem sabe no final, algo fazer algum sentido.


Não sei planejar etapas sistematicamente. O máximo que consigo fazer é determinar um ponto de partida e deixar o texto tomar a forma que quiser.

As vezes queria ser mais comedida. Na maioria das vezes, não.

Sou impossível (ops!, impulsiva), ansiosa, quero tudo para ontem. Muitas vezes isso me afeta de forma negativa, mas, sinceramente, se deixar de ser assim não me serei mais. Me perderei por completo.

Então, ao invés de me ajustar, preciso encontrar uma forma de ajustar o mundo em mim. Nos colocar compatíveis um com um outro. Devo aceita-lo e permitir que ele também me aceite.

Não precisamos necessariamente nos completar. Isso, inclusive, já caiu em desuso, virou piegas. E a última coisa que quero me tornar a essa altura do campeonato é piegas.

Por isso, sou mais adepta de uma relação moderna. Ele, o mundo, continua a girar para um lado, e eu, para o outro. De vez em quando, inevitavelmente, a gente vai se esbarrar. E é nesses momentos que nos descobriremos incríveis. Nos tornaremos então, inconscientemente, um mundo um pouco eu, e eu um pouco mundo.